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terça-feira, 15 de julho de 2008

Destino?


Não digam que o destino não existe… É uma valente mentira…
Se eu quero fazer determinada coisa e tenho todas as capacidades para tal, o que é que me impede de concretizar? Raios partam a quantidade de pressões e subpressões, e ondas curtas e ondas médias, e o diabo a quatro, que até a não sei quantas centenas de quilómetros de casa me atormentam! Porque é que há tanta coisa à minha volta que inibe a minha capacidade científica e desmaia a minha motivação para a acção?
Alguém me tire esta dor de cabeça…

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Loucura


Quem me dera ter só mais um fio de cabelo. Assim bastava arrancá-lo e a dor era só uma, aguda, única, impossível de repetir porque acabavam as hipóteses de arrancar mais um cabelo que fosse.
Assim, tudo é diferente, e farto-me de arrancar cabelos a cada momento malfadado, a cada ocasião menos convergente! Talvez eu próprio tenha uma visão obtusa da realidade e considere que a minha existência deveria ser mais perfeita do que aquilo que é.
O mundo como o vejo é consideravelmente diferente ao mundo visto por qualquer outra pessoa; mas a minha irritação com as pessoas do mundo vai fazer de mim careca, enquanto outros continuarão com um cabelo bem farto!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Acontece que queria ter tempo…


Acontece que queria ter tempo para escrever, e penso no que quero escrever sem escrever em escrita corrente.
Acontece que queria ter tempo para pensar, e não penso em metade do que quero pensar porque penso demais na outra metade.
Acontece que queria ter tempo de correr para os teus braços, e penso que isso não se faz nem de tempo nem de pensamento, mas é intemporal e às vezes psicótico.
Acontece que queria ter tempo para estar com todos vocês, e penso tantas vezes como gerir todo esse tempo para o conseguir, e não consigo.

Não sei se o defeito é meu ou do tempo. Acho que ainda não assimilei de todo algumas mudanças pelas quais as fases da vida nos obrigam a passar.

Longe o poeta dizia,

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o Ser, muda-se a confiança
Todo o Mundo é composto de mudança
Tomando sempre novas qualidades”

E que qualidades adquiri eu? Que vontades novas tenho?
Só quero ter tempo: o tempo que sempre tive e que sempre consegui gerir! Eu era o às do tempo! Driblava com o tempo nas minhas mãos… e fazia o que queria… cheirava o tempo… tocava o tempo… os ponteiros do relógio era eu que os fazia…
Ou então não!... Se calhar eu é que não ocupava tanto tempo com aquilo que do tempo corria.
Sei lá! Só queria mesmo era ter tempo de olhar nos teus olhos, de rir com todos vocês, de sorrir a que merece, e de escrever… Escrever muito… Sobre aquilo que ao tempo o tempo me deixasse escrever!

A minha vida não é assim tão má, o problema é que não tenho tempo! Quer dizer: tenho tempo para fazer alguma coisa, não faço é tudo o que quero. Será que quero fazer coisas a mais?
Mas eu não sei estar parado e deixar-me ver os outros mexer… Não, não é isso: não quero ser mais ou melhor que os outros – só quero perpetuar a minha dinâmica… Mas depois acabo por me dispersar.

E depois aquela maldita coisa electrónica onde metodicamente tento encaixar, em horas certas e cheias de tudo, aquilo que tenho para fazer! E não faço tudo. Quer dizer: faço algumas coisas – outras deixo a meio, outras invento que faço e outras não faço de todo. Mas não é por mal! Eu até gosto do que faço, e até do que acabo por não fazer!

De tempo se faz ao tempo aquilo que do tempo depende. No fundo, tudo depende do tempo e todos dependemos dele.

É tempo de terminar!

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Crescer...


As fases pelas quais vamos passando ao longo da nossa vida, fortalecem a nossa personalidade e enrrijecem os momentos de ócio que disfrutamos com aqueles de que mais gostamos.

A sociedade em que vivemos, somada à idade que não pára de avançar, são um freio entediante da nossa capacidade de descontrair. Cabe à nossa supercapacidade de abstracção ser o motor de arranque em sentido contrário que a bateria da nossa vontade não deixa ir abaixo!O riso e um cigarro são a combustão desses momentos.

Equilibrar a responsabilidade dos nossos actos com a boa disposição formalmente informal, é uma sabedoria cheia de dificuldade, que muito poucos conseguem alcançar. Ter mais de 1 valores no exame das cores do dia é uma proeza de que poucos se podem gabar!

O erro dos mais velhos encontra-se no progressivo isolamento social, que se traduz na incapacidade de ser capaz de repetir o prazeiroso, o divertido e mesmo o relaxante.

A saúda dos seres humanos não passa só pelas sucessivas visitas ao médico para uma análise sistemática de parâmetros físicos associada ao renovar de prescrição - a saúde também se constrói no renovar do bem-esar do momento.

Projectos sérios e metas irrealistas são objectivos que todos devemos ter! Só assim se torna possível gerar motivação bastante para produzir qualquer coisa que, embora áquem os objectivos previamente estabelecidos, nos enche de qualquer coisa a que chamamos orgulho, felicidade ou alívio - dependendo da vivência por que passamos.

No fundo, todos buscamos a felicidade, e por mais intelectuais ou obcecados com a realidade palpável, os horários e a progressão da carreira, todos queremos tender para um equilíbrio vital que nos torne úteis na utilidade e na futilidade. Contrabalançar a organização com a desorganização é o ponto de partida de uma reflexão interior que urge ser feita.

Reduzir a nossa existência a compromissos tabelados cheios de importância e vazios em jovialidade é a falácia sobre a qual muitos de nós é levado a viver.

Crescer é, no fim de contas, aprender a prepetuar a juventude despreocupada somando-lhe ma indumentária mais formal e um riso mais contido - respeitar e ser respeitado são acréscimos a essa capacidade.

"Não pares nunca de me abrir os olhos... Nunca saias do meu lado!"

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Não posso!


O despertador tocou…
Acordei, saí da cama, arranjei-me…
Tomei o pequeno-almoço de sempre: um copo de leite e uma sandes de queijo. Vesti o casaco, despedi-me dos meus pais e saí de casa. Bati a porta, chamei o elevador e desci com ele. Saí do prédio, entrei no meu carro e dirigi até à faculdade! O trânsito da ponte, o stress à procura de um lugar…
Estacionei o carro bem longe e cheguei atrasado às aulas!
Mais uma história clínica, mais uma discussão diagnóstica… Mais um esquema, sempre igual, daquilo que chamam ensino!
Almocei com os de sempre, a companhia de sempre… Voltei à faculdade, esperei por ti, e no fim… No fim fui eu que não pude ir ter contigo!
Mais um pedido, mais uma chamada, uma mensagem… E mais qualquer coisa que apareceu para me ocupar…
Logo à noite? Também eu queria, mas também não posso…
Sei lá se me sinto frustrado! Queria estar contigo e pronto! Bem sei que amanhã nos vamos ver, mas eu queria hoje! Agora! Porquê? Não sei… Fazes-me bem!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Cegueira


Não vejo aquilo que me querem mostrar! Não sou capaz de cair no chão duro e frio e de acordar para o real, para aquilo que existe, e continuo a viver no meu mundo cego ao que me rodeia!
Continuo a imaginar que controlo o tempo e o espaço que por mim passam, e que sou criança pequena cheio de avidez de saber tudo e ansioso por ser adulto! Ainda não sou adulto, mas as decisões que tomei, as pessoas com quem me cruzei, os sentimentos que travei, fizeram de mim um pseudo-infanto-adulto que me fazem reclamar a toda a hora direitos que não tenho e que me fazem não querer a toda a hora deveres que ainda são meus!
Nas teorias mais perfeitas que se escreveram sobre o desenvolvimento dos Homens, talvez já tenha passado a data da minha emancipação, mas continuo a sentir-me preso aquilo que me dá conforto, certeza das coisas e a verosimilhança daquilo que tenho... E ao mesmo tempo não é real!
As casas que frequento e as pessoas com quem falo são diferentes em tudo e por elas, com elas, junto as peças de um futuro mais próximo que o que penso, mas continuo a pensar que controlo o tempo e o espaço.
Ser rei de um reino sem coroa, ser papa de uma religião sem nenhum deus, e ser apenas eu dono de mim mesmo...
Escrever sem caneta, cantar sem voz, ouvir sem sons, correr sem andar, e ser eu como quero ser o que me apetecer fazer!
Cegueira sem razão, cegueira sem emoção, mas a cegueira normal da dúvida e do medo do desconhecido ao acreditar que este momento e este espaço são eternos sem haver o segundo antes nem o segundo depois - e tudo se mantem na mesma!