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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

De branco

A cor branca é sinónimo de uma qualquer pureza que não existe.
Paredes brancas, estofos brancos, batas brancas, fardas brancas... Mas será que a cor podre é branca? Ou branco é só o lacado que esconde o que de pior tem o ser humano?
Imaculada existência errada!

domingo, 29 de agosto de 2010

Trabalhamos muito

Quando eu crescer quero ser qualquer coisa que me faça feliz.
Quando eu crescer quero fazer qualquer coisa que me preencha e me traga felicidade e me dê sustento!
Quando eu era pequeno não sabia o que queria ser e, agora que cresci qualquer coisa, sei que aquilo que sou me preenche mas me deixa todos os dias uma grande dose de frustração!
A responsabilidade dos actos fica com quem os pratica, mas há a necessidade de fazer essa responsabilidade baseada no conhecimento e na boa prática!
A reflexão banal das coisas em Medicina leva-nos sempre ao ponto em que falamos de um médico sabedor e trabalhador tendo como objecto os seus doentes que tenta tratar. E depois concluímos sempre que o médico se esforça e investe muito no seu conhecimento, e nas muitas horas que trabalha é levado sempre até à exaustão...
Mas será sempre assim?

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

O mesmo acto, duas reacções


Francisco saiu do trabalho, um escritório nas imponentes Torres de Lisboa. Entrou no carro e dirigiu até à Praça do Saldanha. Encontrou um lugar para estacionar e sacou da moeda de €0,50 para dar ao arrumador. Descontraidamente ía pelo passeio, como se nada fosse com ele, em direcção aquela consulta que a esposa lhe tinha marcado no dentista.
De repente é abordado por um sujeito meio "tan-tan" que verborreou qualquer coisa meio imperceptível e como um louco lhe apontou para os lábios, com os dedos cheios de qualquer coisa que parecia carvão, com um gesto de mãos meio tosco e lentificado; tão próximo que Francisco teve nojo e rapidamente o afastou.
Continuou o seu caminho e chegou finalmente ao consultório. Entrou, identificou-se na recepção. Aguardou na sala de espera. Passado cerca de 10 minutos uma daqueles funcionárias vestidas de branco (que sempre há naqueles consultórios meio chiques) chamou pelo nome de Francisco à entrada da sala de espera. Levantou-se e caminhou até à sala do dentista. Nunca tinha visto aquele homem, não o conhecia de parte nenhuma, contudo, cumprimentou-o, sentou-se na cadeira e abriu a boca naquele gesto implacável de quem suplica para lhe enfiarem as mãos na boca!

[Inspirado num artigo que li na revista Visão. Já o li há tanto tempo, que não me lembro quando.]

Actos como este acontecem diariamente na profissão de médico-dentista e na profissão de médico, e em qualquer outra profissão que envolva seres humanos em estado mais ou menos vulnerável.
Que raio de poder, ou de encabulada qualidade, que alguém deu a estes seres do universo para puderem fazer tanta coisa, muitas vezes sem se explicarem?
Óbvio que o exemplo que desenvolvi é um pouco ridicularizável, mas quantas histórias conhecemos nós nas quais os doentes se confessam e se expõem aos médicos. Quanta confiança! Quanta necessidade! Quanta vulnerabilidade!
E depois o erro médico, o mesmo que a desilusão no amor! Caramba, não é a profissão médica uma profissão como tantas outras? Se calhar não é, mexe com a vida dos outros e os outros fazem com que os médicos mexam na sua vida!
Tenho medo e coloco questões! Terei esse direito, ou deverei pôr-me rapidamente a estudar, em vez de pensar sobre estas coisas, para que no futuro não faça erros e seja o deus que todos esperam de mim?
Não tenho essa presunção, mas será que a sociedade realmente me exige isso?